e se o sol amanhã não aparecer? se o céu deixar de ser azul e as flores deixarem de florir? se as rosas perderem o aroma doce e o limão perder o sumo acre? se o sangue perder a cor vermelha? se as estrelas deixarem de brilhar e o planeta deixar de girar? se só me sentir segura, entre os teus braços e o bater sincronizado dos nossos corações? se só tiver sede desse teu sorriso e fome dos teus lábios? se forem os teus olhos o poço onde mergulho e me afogo entre saudade e sonhos? se eu cegar e não vir nada mais para além das tuas feições curvas e morenas; para além da forma linear da tua silhueta? se as histórias de amor só tiverem finais tristes e se os versos não rimarem mais? se as memórias se perderem e as recordações se quebrarem? e se os pássaros deixarem de cantar? se a primavera não chegar? se a lua não iluminar a noite? se nada mais me fizer sorrir? se o chocolate perder a doçura? se o mar não tiver ondas e a praia não tiver areia? se viver perder a piada? se eu tiver medo? e se eu gritar? se eu chorar? se o meu coração se partir? se tudo deixar de fazer sentido? se eu deixar de fazer sentido? (…) e sim, ontem chorei, por tudo,por nada, por aquilo que somos, aquilo que fomos e até por aquilo que não fomos e por aquilo que nem conseguimos ser, pelo medo de não te voltar a ver, de não te voltar a agarrar na mão e sussurrar-te ao ouvido, pelas vezes que supliquei por aquilo que não posso ter.
chama-me idiota, mas só eu sei, só eu sei o que me custou dizer-te adeus, o que me custou deixar-te e regressar a casa, pensando que poderia ser a última vez, a saudade consome-me aos poucos, percorre os meus sonhos e alimenta os meus medos, torna-me frágil, perante todo este amor que por ti nutro e depois, esta ambição sufocante de te querer a meu lado torna-se uma compulsiva obsessão que me enfraquece e me atira ao chão, perante os nossos desejos perdidos em vão, mas eu sei que vamos ficar juntos até ao fim e se não for hoje, um dia será, porque eu sei que por mais difícil que seja, fomos feitos para um dia darmos certo.
